O Funil de Marketing tradicional não funciona no B2B

O Funil de Marketing tradicional não funciona no B2B

01 / 12 / 2025
Metodologia pinball na jornada de compra B2B Industrial - ORLEN

O funil de marketing não explica o B2B moderno, ocomportamento do comprador é como um jogo de pinball. Por que a jornada real é multicanal, não linear e está fora do controle do marketing.

Durante décadas, os profissionais de marketing foram ensinados a pensar a jornada do cliente como um funil previsível. No entanto, no B2B industrial, onde decisões são complexas, técnicas e influenciadas por múltiplos interlocutores, essa lógica simplesmente não se sustenta.

O comportamento do comprador moderno não segue etapas lineares. Ele navega por múltiplos canais, consome diferentes fontes de informação, volta para pontos anteriores, pausa e retoma o processo conforme suas prioridades internas.

Em outras palavras:

o comprador se comporta como a bola de uma máquina de pinball. Por que o funil tradicional não funciona mais no B2B

O funil sugere que todos os compradores percorrem sequencialmente:

  1. Topo
  2. Meio
  3. Fundo
  4. Conversão

Mas esse modelo assume uma jornada ordenada, controlável e progressiva, algo completamente incompatível com a realidade organizacional de empresas B2B.

No mundo real:

  • O comprador visita seu site, sai e volta semanas depois;
  • Pesquisa sua empresa no Google e, ao mesmo tempo, compara concorrentes;
  • Vê um post no LinkedIn, ignora, depois volta por indicação;
  • Baixa um conteúdo técnico e some;
  • Retoma a discussão após uma auditoria interna ou mudança de CAPEX;
  • Compartilha materiais internamente sem que você jamais saiba;
  • Só fala com vendas quando já está altamente informado.

Nenhum desses movimentos é linear

E nenhum deles está sob controle direto da área de marketing.

A lógica da metodologia Pinball

A abordagem pinball entende que a jornada:

  • é não linear,
  • é multiconectada,
  • envolve múltiplos pontos de contato,
  • e depende de eventos internos das empresas — não das suas campanhas.

O comprador “rebate” entre canais:

SEO → LinkedIn → Blog → Case → Google → Webinar → Volta ao blog → Conversa interna → Nova pesquisa → Primeiro contato.

Cada toque gera:

  • Reconhecimento
  • Confiança
  • Autoridade percebida
  • Redução de risco
  • Clareza técnica

E assim, lentamente, a maturidade cresce. Não existe um avanço contínuo — existe acúmulo de percepção.

Um comportamento previsto há mais de uma década

No estudo “Building Customer Relationship through New Media Formats: Emerging Trends in Marketing” (2012), os autores Mishra, Sen e Ahmad já afirmavam que:

  • a comunicação deixou de ser linear,
  • a jornada do comprador se tornou distribuída,
  • os novos formatos de mídia fragmentaram o processo decisório,
  • e o consumidor passou a navegar autonomamente entre múltiplas fontes.

Mesmo antes do amadurecimento digital do B2B, eles já apontavam:

“A marca deixa de conduzir a jornada; ela passa a influenciá-la através de interações recorrentes e consistentes.”

Esse insight, que parecia avançado em 2012, hoje é absolutamente evidente no ambiente industrial.

Metodologia Pinball que substitui o funil de vendas

Mishra, Niraj & Sen, Nupur & Ahmad, Iftekhar. (2012). Building Customer Relationship through New Media Formats: Emerging trends in Marketing.

A regra dos 5% (ABM): a realidade que poucos admitem

De acordo com os principais modelos de ABM e pesquisas consolidadas (como as da 6sense, Gartner e Ehrenberg-Bass Institute), apenas:

5% das empresas do seu mercado estão prontas para comprar agora.

Os outros 95% estão em algum destes estágios:

  • Revisão interna de prioridades
  • Sem orçamento aprovado
  • Sem urgência clara
  • Em análise de tecnologias
  • Em renegociação com fornecedores atuais
  • Em espera por CAPEX
  • Em mudança de liderança
  • Em reorganização comercial
  • Em adaptação regulatória
  • Em processo de reorganização pós-auditoria

Portanto, depende muito pouco de você “empurrar” essas empresas para o fundo do funil.

A tarefa real do marketing é:

  1. estar presente quando elas entrarem nos 5%.
  2. e maduro o suficiente para ser a escolha óbvia quando o momento chegar.

Marketing B2B não controla a jornada — ele influencia a decisão

O que você controla:

  • Seus conteúdos
  • Sua narrativa
  • Sua presença nos canais corretos
  • Sua autoridade técnica
  • Seu SEO
  • Sua consistência
  • Sua clareza de mensagem

O que você não controla:

  • O timing
  • As prioridades internas
  • Os processos de compra
  • Os decisores ocultos
  • A política interna
  • As limitações de CAPEX
  • A agenda de cada departamento

Por isso, a missão do marketing moderno é orquestrar estímulos, não controlar caminhos.

Por que essa visão muda tudo para quem faz marketing no B2B industrial

  1. A régua de sucesso deixa de ser “conversão imediata”

E passa a ser: maturidade, consistência, relevância e profundidade.

  1. SEO, LinkedIn e conteúdo técnico se tornam ativos estratégicos

Porque são pontos de contato autônomos — acessados no tempo do comprador.

  1. Conteúdos comparativos, técnicos e de risco ganham muito mais força

Pois auxiliam os comitês internos, não só o usuário inicial.

  1. ABM deixa claro que não existe “mercado todo”

Existe um microgrupo que está pronto.

  1. A marca deixa de ser reativa

E passa a ser referência.

Conclusão: o jogo não é controlar, é estar presente

No B2B industrial, o marketing não controla a jornada. Ele controla os estímulos.
E são os estímulos certos, nos canais certos, no momento certo, que moldam a decisão.

Quando aceitamos que a jornada é um pinball — não funil — o marketing se torna mais estratégico, mais realista e muito mais eficiente.

Foto perfil Junho 2025 - 02

Guto Arruda

Especialista em SEO para o B2B
Levando Empresas à Relevância Online
Sócio na Orlen Digital

Vamos conversar sobre o seu projeto?